abril 17, 2022
Justice For Johnny Depp – Dia 4

Na quinta-feira, 14, depuseram Kate James (ex-assistente pessoal de Amber Heard), a conselheira matrimonial Laurel Anderson, Gina Deuters (amiga de Johnny Depp) e o médico David Kipper.

O dia foi marcado pela falta de ética da equipe de Heard e, em consequência, por um revés para Depp. Leia a seguir.

Sabotagem de depoimento e apoiadora de Amber Heard banida do Tribunal

A juíza Penney Azcarate determinou a retirada do testemunho de Gina Deuters dos registros do julgamento e pediu aos jurados que o desconsiderem para tomar sua decisão.

Após quase uma hora de seu início, o depoimento foi pausado com a juíza perguntando a Deuters se ela havia assistido a algum dos testemunhos. Ao admitir ter visto alguns clipes, Deuters foi dispensada da audiência.

A defesa da ré Amber Heard havia denunciado a Azcarate a suposta utilização de redes sociais por Gina durante o julgamento, o que a comprometeria a testemunha. Ocorre que a “denúncia” foi fraudada, já que a postagem feita por Gina no Instagram em 8 de janeiro de 2021 foi apresentada à juíza, sem a data, como se fosse atual.

A responsável pela sabotagem do testemunho de Deuters teria sido Eve Barlow, apoiadora de Heard. Foi a informação deturpada que Barlow passou para a defesa da ré que resultou na anulação do depoimento.

Além disso, Barlow violou uma ordem judicial que impedia o uso de dispositivos eletrônicos pessoais no tribunal (apenas quem faz parte das equipes jurídicas das partes tem permissão para tal). Ela não só utilizou o próprio celular para prejudicar o testemunho de Gina Deuters, como fez publicações no Twitter e enviou mensagens de texto de dentro da sala de audiências.

Na sexta-feira (15), em reunião dos advogados das partes com a juíza, a equipe de Johnny Depp ressaltou que está tentando seguir as regras impostas e solicitou que Barlow fosse impedida de entrar no tribunal durante o julgamento. O pedido foi atendido – veja mais aqui.

Vamos agora ao resumo do que foi dito pelas testemunhas.

Kate James

Kate James prestou depoimento por meio de vídeo pré-gravado. Ela, que trabalhou como assistente pessoal de Heard entre 2012 e 2015, disse que sua ex-chefe era “absolutamente explosiva. Gritando, berrando, abusando. (Era) uma raiva cega.”

James lembrou como Heard “gritava pelo telefone” com ela e a submetia a “enxurradas de mensagens de texto abusivas dia e noite”. “No meio da noite, entre 2 e 4 da manhã, o bombardeamento começaria. Tudo incoerente, sem sentido, apenas [para ter] alguém para atacar. Nenhuma razão aparente para isso.”

A ex-assistente pessoal também reclamou das condições de seu emprego. Quando estava mudando do trabalho em meio período para o trabalho em período integral, ela estava negociando seu salário com Heard, que perdeu a calma. James disse: “Ela pulou da cadeira, colocou o rosto a dez centímetros do meu, me perguntando como eu ousava pedir o salário que eu estava pedindo. Ela sentiu que isso lhe dava o direito de cuspir na minha cara”, acrescentando que os US$ 50.000 que ela requisitou eram metade de seu salário normal. Uma pessoa que testemunhou a situação ficou “mortificada”, afirmou.

Ainda sobre o comportamento abusivo de Heard, James disse que a ré tratava a irmã Whitney “como a um cachorro que você chuta” e que até a mãe da atriz estava “aterrorizada” com ela.

Entre os medicamentos prescritos que Heard tomava estava o sonífero Provigil, mas James contou que os efeitos colaterais levaram Heard a um “episódio maníaco”. “Era semelhante a alguém que estivesse usando algum tipo de anfetamina. Movendo-se muito rápido, querendo hiperorganização, ser hipertarefa, simplesmente muito, muito hiper.”

James afirmou que Heard disse a ela que havia tomado cogumelos, ecstasy e cocaína e que isso a deixou “desorientada” e a fez beber muito e sair com seus amigos. Quando Heard estava embriagada, ela “tornava-se cada vez mais beligerante e abusiva”.

Kate James disse que as inseguranças de Heard sobre seu relacionamento eram porque ela “não gostava de ficar longe da presença física de Johnny”. No entanto, Heard também não gostava das pessoas com quem Depp andava: “Ela me disse que não gostava de estar na casa dele, com os amigos dele, porque era chato e eles eram todos velhos tocando guitarra e não era interessante para ela”.

Perguntada se já viu algum ferimento, corte, hematoma, inchaço ou vermelhidão no rosto de Heard, James disse: “Não”, que “nunca” a viu com olhos roxos ou tufos de cabelo arrancados de sua cabeça.

Questionado sobre sua impressão de Depp, James contou que ele era “pacífico, quase tímido, muito quieto” e o chamou de “cavalheiro sulista total”. Ela costumava conversar com ele, mas disse que “pararia imediatamente” quando Amber os visse e lhe desse “uma olhada ruim”.

O tribunal ouviu sobre o dia em maio de 2016 (quando Heard chegou a Los Angeles vindo de Boston) no qual Depp foi supostamente abusivo em relação a ela. James afirmou que Heard foi direto para o hotel Chateau Marmont para se encontrar com amigos.

Ela descreveu a atmosfera como “um pouco conspiratória”, acrescentando que era “como uma reunião de estratégia, combinada com uma festa na piscina”. James esperou lá com o filho dela e acabou voltando para casa.

Questionada sobre o episódio pelo advogado de Heard, Benjamin Rottenborn, James disse que não estava preocupada com o bem-estar da ré, porque “se tornou um padrão com ela, eu estava apenas acalmando-a”.

Ela disse: “Eles passaram o dia todo bebendo enquanto eu me sentava esperando com meu filho. Tivemos que esperar o dia todo enquanto eles ficavam bebendo à beira da piscina. Finalmente fui para casa.”

Ela voltou para seu apartamento. Então Heard queria que ela fizesse as malas às 22h de domingo. “Eu disse que não podia ir fazer a mala dela, eu tinha colocado meu filho na cama. Ela estava com muita raiva. Era um procedimento padrão neste momento. Ela era uma pessoa muito dramática.”

Laurel Anderson

Laurel Anderson é psicoterapeuta clínica e conselheira matrimonial. Ela trabalhou com Depp e Heard por um total de 21 sessões a partir de outubro de 2015. Seu depoimento também foi pré-gravado.

Ela disse que a atriz iniciou brigas físicas mais de uma vez: “Eu sei que ela liderou [as brigas] em mais de uma ocasião e as começou para mantê-lo com ela, porque o abandono e deixá-lo ir eram seu pior pesadelo”.

“A Senhorita Heard relatou que era um ponto de orgulho para ela, se ela se sentisse desrespeitada, iniciar uma briga. Seu pai tinha batido nela. Se ele (Depp) fosse embora, ela o golpearia para mantê-lo lá. Ela preferiria estar em uma briga do que deixá-lo ir embora.”

Anderson deu ao ex-casal os nomes falsos “Ann Henry” e “Joey Davis”, aparentemente para proteger suas identidades.
No primeiro encontro, ela se sentou com ambos por três horas e meia. Em suas anotações, ela disse que uma vez um dos dois “saiu”, mas não sabia quem.

As sessões continuaram até março de 2016, quando um amigo de Depp e Heard pediu a Anderson para fazer uma visita domiciliar, mas ela resistiu, pois nunca havia feito isso.

Ela disse: “Achei que ele (Deppp) estava tendo dificuldade nas sessões e acho que era algo sobre o processo entre os dois.” Questionada sobre qual dificuldade, ela disse: “Ter voz. A senhorita Heard tinha um estilo de britadeira de falar. Ela era muito empolgada. Ele tinha problemas para falar em um ritmo semelhante. Era muito cortado. Acho que era isso. Era como se ele não tivesse voz. Ele não conseguia falar com o jeito rápido de falar dela, então ele ficava realmente sobrecarregado.”

Perguntada se Heard relatou violência por parte de Depp, Anderson disse que sim. Ela se lembra de ter visto fotos de Heard com o rosto machucado e hematomas ao redor dos olhos, embora nunca tenha testemunhado o abuso.

As anotações de Anderson mostram que Heard afirmou que Depp disse a ela: “Ninguém gosta de você, você está ganhando fama de mim. Estou perdendo o amor por você. Você é uma va*ia”.

Anderson descreveu Depp e Heard discutindo como ‘indo e voltando’, atirando um no outro. Eles não se comunicam, têm habilidades terríveis.

Heard “discutia demais com” Depp e Anderson teve que dizer a ela que uma conversa era “impossível” se ela estivesse “atacando”.

Depp alegou que Heard o acertou na mandíbula – diziam as anotações da terapeuta – enquanto ele a atacava. As notas, que foram lidas para o júri, diziam: “Ele (Depp) bate nela (Heard), sem punho cerrado. Ela revida e começa por orgulho, porque o pai dela bateu nela.”

Anderson disse ao tribunal: “Esta é ela denunciando abuso físico, então quando ela disse que ele bateu nela, um tapa de mão aberta, ela disse que revida e agora ela começa e às vezes bate primeiro.”

“Sua história foi violada pelo pai, fisicamente. Muitas coisas a acionam, se ela for acionada ela vai bater nele primeiro.”

“Ela era sensível sobre se sentir desrespeitada. Se ela se sentisse desrespeitada, ela sairia de sua história de fundo sentindo que seu orgulho precisava dominar e ela precisava se defender.”

Questionado sobre uma referência a Heard dizendo que ela “socou” Depp, Anderson disse: “Ela sentiu que tinha que bater nele de volta se ele batesse nela. Ela sempre fez isso.”

Durante uma sessão por telefone com Heard, as anotações de Anderson diziam que Heard afirmou que ela “deu um tapa (em Depp) enquanto ele estava sentado lá incoerentemente.” Anderson contou que Heard disse como Depp “estava drogado e ela o esbofeteou, porque ele estava sendo incoerente e falando sobre estar com outra mulher. Acho que ela se sentiu humilhada e ameaçada.” A terapeuta observou que a mãe de Depp estava no hospital no momento.

Durante uma sessão no verão de 2016, Depp contou como houve uma “grande briga” no aniversário de 30 anos de Heard em 22 de abril daquele ano. Depp disse que foi “caótico, violento, mas que ela (Heard) deu o melhor que conseguiu.”

De acordo com as anotações de Anderson, Heard “eventualmente iniciou a agressão” e falou sobre “tentar iniciar uma briga uma noite dando um tapa nele”, referindo-se a Depp.

Gina Deuters

Gina Deuters trabalha com efeitos visuais e conhece Depp desde 2005. Ela o chamou de “bom amigo”. Seu marido Stephen Deuters trabalha para a produtora de filmes de Depp, a Infinitum Nihil.

Em seu breve depoimento, Deuters lembrou que Depp e Heard estavam “bastante apaixonados” nos primeiros dias de seu relacionamento. Ela lembrou de pensar que Heard era “naturalmente bonita” e de admirar sua pele.

Em seguida, eles se encontraram enquanto Depp estava promovendo The Lone Ranger (O Cavaleiro Solitário). Gina lembrou um incidente em que Depp “estava escondendo uma bebida ao lado de sua cadeira e tomando goles escondido”.
Heard viu, ficou “bastante zangada com isso” e repreendeu “Depp, como se estivesse repreendendo uma criança”.

Ela disse que Heard estava “muito zangada, como se o estivesse dominando”. Depp estava “bastante exausto com toda aquela conversa como se ele fosse uma criança”.

Deuters disse, em todos os anos que conhece Depp, o viu usar maconha, cocaína e álcool aproximadamente “vinte vezes”, mas que nunca notou mudanças em seu comportamento por isso.

No casamento de Depp com Heard em sua ilha particular nas Bahamas, Deuters contou que Heard e uma amiga lhe apresentaram ao MDMA, droga sintética derivado da anfetamina, que produz efeitos estimulantes e alucinógenos. Ela disse: “Eu estava um pouco de ressaca desde o dia anterior e imagino que elas duas me viram. Quando elas colocaram a pílula na minha mão, pensei que fosse um suplemento vitamínico. Decidi jogar a cautela ao vento e experimentar.”

David Kipper

O testemunho de David Kipper foi pré-gravado e deve continuar a ser exibido na segunda-feira, dia 18. Ele é especialista em medicina interna.

Ele foi questionado sobre Debbie Lloyd e disse que ela trabalhou como enfermeira registrada de Depp.

Kipper contou que foi contatado sobre trabalhar com Depp em 2014. Ele disse que Depp foi encaminhado por outro paciente e que conversou com Tracey Jacobs, ex-agente do ator, sobre seus cuidados.

Depp o contratou em maio do mesmo ano, para tratar-se do vício em opioides. O médico elaborou um plano pelo qual ele se desintoxicaria em sua ilha nas Bahamas.

O tribunal ouviu que Kipper também encontrou Depp em Boston enquanto ele filmava lá. O ator concordou com um programa de desintoxicação e sobriedade, e em ser regularmente testado contra drogas. A quantidade de testes dependeria de seu progresso.

Em uma anotação tomada em junho de 2014, Kipper detalha o encontro com Depp em seu apartamento. Depp lhe disse que começou a tomar opiáceos após um procedimento odontológico e que se tornou dependente deles. A nota diz que Depp estava “com medo” de se livrar dos opiáceos, mas sabia o que precisava fazer.

Já em nota feita em uma data posterior em junho, o médico relata: “Paciente falou sobre sua infância difícil e mudanças de humor atuais”. Depp disse a ele que seu humor mudou de bom para ruim. Estava implícito que isso seria “depressão, tristeza”, disse Kipper. Ele é questionado se isso também significaria raiva, ao que ele responde: “Não me lembro dele dizendo isso.”

Kipper foi encaminhado para um resumo do tratamento feito para Depp de 22 a 24 de junho de 2014. Eles discutiram a necessidade de Depp tomar seus medicamentos e o ator concordou com uma desintoxicação depois que ele terminasse o filme em meados de julho daquele ano. Isso aconteceria na ilha particular do ator nas Bahamas, durante 10 a 14 dias.

Novamente perguntado sobre as anotações relacionadas a Depp, o médico disse que elas também incluem observações feitas por Debbie Lloyd, a enfermeira.

Uma nota datada de 9 de agosto de 2014 detalhou como o “paciente expressou medo de nunca se sentir normal sem suas drogas”. Kipper disse ao tribunal que sim, “de alguma forma ele expressou isso comigo”.

O tribunal ouviu que o médico chegou à ilha de Depp em 12 de agosto de 2014 e o avaliou. Ele recebeu uma mensagem de Heard dizendo que Depp estava “chateado e irritado”.

As notas dizem que Depp teve uma briga com Heard e estava “questionando se ele poderia ou não lidar emocional e fisicamente com a desintoxicação”. Kipper disse que não se lembra da conversa, mas sabe que o ator estava “lutando”. Solicitado a dar mais detalhes, o médico diz que Depp estava “frustrado, desconfortável fisicamente”.

Kipper foi perguntado sobre um e-mail que ele enviou para a irmã mais velha de Depp, Christi Dembrowski, enquanto estava na ilha, em agosto de 2014. Ele diz que queria atualizá-la sobre a desintoxicação, contar como Depp estava e como eles deveriam proceder.

Questionado se estava preocupado com o ator, ele disse que queria ter certeza de que Dembrowski estava atualizada.

Heard afirmou que um incidente de abuso ocorreu nesse período. O médico disse que não testemunhou nenhum “incidente” e que escreveu o e-mail depois de ser chamado para ver Depp por conta dessa alegação.

David Kipper foi perguntado sobre visitar Depp em 2015, após um incidente na Austrália em março daquele ano, enquanto ele estava no país para filmagens. Depp feriu gravemente seu dedo durante esta viagem e tanto ele quanto Heard dão relatos contrastantes de como ele sofreu a lesão.

Depp precisou de cirurgia para reconstruir o dedo, disse o médico ao tribunal. Ele disse ao ator que não seria mais capaz de tratá-lo se não seguisse as orientações sobre sua medicação.

Ele contou que estava preocupado com Depp e que é correto dizer que ele não estava cumprindo [as orientações] na época. Para fazer a cirurgia, ele precisava estar “estritamente compatível” com sua medicação. Também é correto dizer que Depp estava quebrando as promessas de permanecer sóbrio na época, ele disse ao tribunal.

No entanto, o Kipper afirmou que, quando se tratava de cirurgia, Depp estava em conformidade nesse período e no período pós-operatório.

Vídeo e fotos

Via Laura Bockov, Daily Mail, Sky News.